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sábado, 17 de abril de 2010

Reflexão

Autor: Carlos Eduardo Ribeiro da Costa

A vida não é fácil, venhamos e convenhamos...

Quando criança, temos a doce ilusão de crescermos, nos tornarmos Doutores, Bombeiros, Jogadores famosos de Futebol e tantas outras profissões que a mídia e nossos sonhos nos fazem crer como ideais;

Crescemos, nos tornamos adolescentes, a era da revolta, revolução mental, hábitos esdrúxulos, vontade de mudar o mundo, a política, o “sistema” (esse maldito está em todos os lugares sob várias facetas, tudo é culpa do “sistema”, algo abstrato mas tão presente que as vezes chego a pensar que é a personificação do Diabo, Demo, Lúcifer, Coisa Ruim e tantos outros codinomes, porque não mais um, Sistema)...as regras que temos que seguir, e se quisermos ser grandes, ou trabalhamos muito, ou ganhamos em uma destas tantas loterias que o governo cria para angariar fundos para “obras sociais” (afinal, manter um político abastado e nós cada vez mais pobres é uma obra social), não conseguimos ser o que sonhamos quando crianças, não nos tornamos jogadores famosos e ricos, nem um Bill Gates ou Steve Jobs, muito menos um mega empresário, nem um soldado das forças especiais a lá Rambo...;

A vida parece que molda nosso futuro e presente, apesar de todas as Religiões e Crenças alardearem que o maior presente de DEUS para nós é o “livre arbítrio”, às vezes tenho a sensação que algumas coisas já vêm prontas, como nossas tendências (dons e defeitos), e nem sempre o mais inteligente é o mais esperto, alias, quase nunca...

Vem a fase adulta, alguns demoram mais que outros, vemos adultos de dezoito anos planejando o futuro, se preparando para várias hipóteses de futuro, e alguns com quarenta anos ainda estão na adolescência, lutando contra tudo e todos, pregando a revolução ética, moral, cívica, econômica, alegando que o capitalismo é cruel e o comunismo de Karl Max é ideal...

Fomos engolidos pelo Sistema (esse cara de novo), somos mais um no grande universo de seis bilhões de pessoas, o que fazer?

Bem, um ser sem sonhos está morto, devemos sempre manter nossos sonhos vivos, e às vezes, rever nossos ideais, mas nunca desmotivar, nunca desistir, sempre manter viva a chama da esperança, reza a lenda que este é o único sentimento que o CRIADOR não tem, a esperança, pois ELE conhece o passado, o presente e o futuro portanto, não precisa esperar nada, ELE sabe tudo, e mesmo que não nos tornemos sucessos da mídia, das finanças, um herói nacional ou internacional, sempre seremos importantes, toda a sociedade precisa de nós, precisamos do gari, do lixeiro, do padeiro, do cozinheiro e de todas as outras profissões que não são as mais famosas ou rentáveis.

Bonito isto...fácil e atraente de ler, nos dá até mesmo uma vontade de deitar e voltar a sonhar como na infância e adolescência, parece que massageia o nosso ego e nos faz sentir menos impotentes ante as dificuldades que a vida nos impõe, mas para que serve? Qual o meu intento?
Infelizmente vejo vários colegas desmotivados, criticando a tudo e a todos pelas dificuldades impostas pela vida, vivem reclamando, se maldizendo e...para que?

Me parecem adolescentes revolucionários, contestando tudo, mas para contestar, temos que tomar ciência do que nos aflige, e percebo que vários colegas se colocaram no abismo, isto mesmo, se jogaram no abismo e se negam a sair de lá, preferem criticar a profundeza do abismo, a dificuldade que é escalá-lo, mas nada fazem, pelo contrario, alguns ainda cavam mais ainda, tornando o abismo mais fundo;

Todos nós nascemos sem dividas, as vezes o nosso nascimento gerou dívidas a nossos pais, nascemos sem filhos ou cônjuge e nascemos sem profissão, crescemos e adquirimos tudo isto, e sempre, não se pode negar, a vida nos deu opções dentro de nossas limitações, mas nos deu, escolhemos com quem casar, poderíamos escolher se queríamos ou não ter filhos, escolhemos se iríamos ou não estudar, e escolhemos a nossa profissão, sabíamos o que ela era e para que era, conseqüentemente, escolhemos quanto iríamos ganhar...estamos reclamando do quê? Da nossa incompetência para conosco? Porque até agora, tudo foi culpa nossa...

Quantos procuram melhorar, evoluir? Procuram estudar? Quantos procuram estar cientes de Leis e Decretos que moldam a nossa vida? Quantos têm uma caderneta de poupança ou gastam menos do que ganham? Quantos fazem outros concursos ou procuram outras profissões?

Quantos participam ativamente de alguma associação de bairro, entidade representativa de classe, partido político?

Pagar impostos para o governo não nos faz ter direitos e deveres sobre ele se não conhecermos os nossos deveres e direitos;

Pagar mensalidade para a entidade representativa de classe (comumente conhecida como “Sindicato”) não faz com que ele tenha que lutar por nós e ficarmos de braços cruzados;
O fato de votarmos e um representante político não quer dizer que ele irá agir em nossa causa, e não precisamos saber o que ele faz ou deixa de fazer;

O fato de termos um diploma de “nível superior” (acho muito esquisito este termo “nível superior”, prefiro “graduação”) não nos coloca á frente de outros, pois muito fazem uma faculdade e não aprendem nada;

O fato de professar uma religião não nos torna um ser melhor e nem irá nos livrar da responsabilidade de nossos atos e nem mesmo do inferno (apesar de não crer em inferno);
E tantas outras coisas que poderíamos fazer e não fazemos, temos a obrigação de fazer e nos omitimos;

Quantos são conformistas, preferimos ficar no fundo do abismo, não queremos escalar, não jogamos a corda para sair de lá...esperamos a GRANDE FENIX, com suas asas enormes e mitológicas para nos tirar de lá...

Grandes personagens da história se fizeram através de luta, dedicação, sacrifício... se vivemos no ostracismo é porque queremos isto.

Quantos ouço dizerem “faço apenas o necessário, nada mais e, se puder, não faço nada” ou ainda “já trabalhei demais, deixo para os outros agora”...na minha opinião, ignorância, falta de amor próprio, falta de orgulho, individualismo puro, falta de preocupação com o próximo e consigo mesmo;

Se nossa corporação está da forma que está, muito se deve a nós mesmos, não adianta culparmos chefes, comandante, secretário e prefeito, somos o resultado de nós mesmos, se fossemos melhor, estaríamos em condição bem melhor.

7 comentários:

  1. Alexandre Silvestre17 de abril de 2010 10:04

    Temos que fazer um reflexão interna sempre, a culpa é nossa por um salário defasado, por não termos equipamentos, não termos qualquer estrutura nas bases, termos um plano de carreira que não funciona, inúmeros procedimentos disciplinares, acredito que alguns pontos devem ser revistos

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  2. marcio augusto de salles17 de abril de 2010 10:19

    Parabéns pelo texto Carlos Eduardo.
    Realmente não podemos criticar governos seja ele federal, estadual ou municipal e até mesmo nossos comandantes.
    Não adianta derrubar o homem que esta administrando ou Comandando, o que temos que fazer e discutir sobre este assunto e conhecer o sistema politico ou sistema da maquina pública e depois com inteligência como fazer e como fazer para acabar com este sistema capitalista.
    Se pergunta: não vivemos em um pais Democrático?
    ou em um pais imperialista capitalista.
    por isso que temos que prestar muito atenção para não julgar o errado antes de saber que sistema é esse.
    parabéns
    abraços

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  3. O casos que vivemos se dá por intervencionismo externo, o final do texto é triste, é este tipo de coisa que levam ao secretário, que não fazemos nossa parte, mas o que observo são muitos companheiros que deixam suas famílias para defender nossa sociedade diariamente, devemos reclamar sim, mas com fundamento, para mudarmos precisamos lutar.

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  4. Belo texto Sr. Eduardo (prefiro chamá-lo de Ribeiro, pois é este que conheço desde 1992).

    Sugiro aos colegas (como o Ricardo acima)que não interpretem este texto com uma visão de vítima, o que acredito que o CD Eduardo quis dizer é que "NÓS" como engrenagem de um sistema, caso fossemos o mais próximos do que há de perfeito (Como engrenagens de um relógio Suiço)NÃO HAVERIA, força externa que nos atingisse, a ponto de nos derrubar, seríamos coesos, maciços!

    Muitos de nós pensam como aquele "botão de dar corda" em relógio: ("Se me giram eu trabalho, caso contrário fico parado, até que alguém venha a mim, quanto tudo estiver a beira de parar, e me gire de novo")

    Eduardo, se te interpretei errado, me desculpe e me corrija!

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  5. estamos cansados destes paradgmas que somos um bando, despreparados e encostados, há muitas pessoas trabalhando para que as coisas dêem certo, a maioria trabalha é muito, pagamos o preço de uma minoria, principalmente dos gestores que nos conduzem para o buraco.

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  6. Parabéns!

    Precisamos deste tipo de posicionamento para promovermos a mudanças, não basta ficarmos reclamando e nada fazer.

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  7. A cada um foi dado o livre arbítrio por Ele, creio nisso. Acredito que todos nós nascemos com as mesmas capacidades, exceto casos que envolvam problemas biológicos e físicos, mas por vezes ou escolhemos ou nos deixamos levar pelo caminho mais fácil de conseguir algo na vida. Todos os sonhos citados acima pelo Cd Eduardo foram os mesmos sonhos de muitos de nós, se não chegamos lá por alguma dificuldade, foi por que deixamos nos abater por ela em alguns casos, por outro lado havia outras coisas serem feitas mais importantes para o momento, tal qual trabalhar. Em muitos casos fomos fundamentais na ajuda do sustendo da família quando as portas do mundo se abriam para nós. Mas pensávamos sim em ter uma família e um bom emprego para sustentá-la. Ainda estávamos na adolescência. Agora o tempo passou, a família se fez e em alguns casos se desfez e no nosso ofício, que escolhemos, portanto estamos aonde queremos estar. Estamos ainda na adolescência, como bem coloca nosso companheiro Classe Distinta no âmbito profissional, nem tanto pela profissão escolhida, mas pelo desejo de estabilidade.

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