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domingo, 24 de outubro de 2010

A soma das partes nem sempre representa o todo

Autor: Marcos Luiz Gonçalves
Classe Distinta da Guarda Civil Metropolitana de São Paulo
Diretor da Associação Brasileira dos Guardas Municipais - ABRAGUARDAS
Pós-Graduado em Direito Ambiental

Estava em sala de aula, escutando um digno mestre a declarar sua afeição a todos que ali se encontravam e ensinando-nos sobre a força de um grupo, devo salientar que desde o início do curso não havia nenhuma matéria ou professor eu houvesse despertado em mim o interesse em querer aprofundar meus estudos conforme suas convicções.

Em determinado momento ele mostrou que um grupo de pessoas não pode ser regido ou composto por pensamentos ou interesses individuais e, mesmo havendo discórdia, em nenhum momento é admissível ofensa a um integrante, sem que o grupo, como um todo, sinta-se ofendido. Em suas palavras, “...se assim fosse, eles teriam o direito de ofender os demais e, se não houver contestação, estarão vocês legitimando tal afirmação...”, assim me apropriei deste conceito e, de forma comparativa, procurei aplicar em minhas rotinas, social, profissional e familiar.

Enquanto família, nunca poderei admitir uma ofensa a ela, pois, mesmo não sendo esta ofensa, dirigida, de forma direta, a mim ou a minha família, com certeza, seremos os próximos a ser ofendido. Assim o conceito aplicou-se á minha família, mera comparação, pois é sabido que a família é a célula mater social, mas sofremos uma intervenção familiar inserida por nossos governantes, que nem sempre nos agrada, porém com nossa conivência, esta é a apresentação da passividade, pois deparamos com a de isenção de responsabilidade estatal e a transferência, desta mesma responsabilidade, às famílias. Ora, se somos da sociedade e vemos, constantemente, a intervenções no seio de nossa família, como nos aquietamos e aguardamos, de forma passiva, que resolvam nossos problemas, sem ao menos nos interessarmos ou participarmos nas soluções, simplesmente nos eximimos e se o fato ofensivo ocorre, de forma passiva, aceitamos e exclamamos: Ainda bem que não foi comigo! Coitado! Você viu o que aconteceu?

Esta nossa atitude deve ser analisada e nossos valores revistos, pois de forma analítica, fato real, esquecemos de nossos valores, parte moral, assim desviamos nossa atenção e continuamos em nossas rotinas, vivendo como o dia anterior, desta forma temos o presente baseado no passado com receio de mudanças futuras, as quais deverão influenciar em nossas rotinas e, simplesmente, esta é a forma mesquinha de viver.

Vivemos no passado e desprezamos o presente, sentimento saudosista, pois, quando nos apercebemos que o fato passado influencia nosso presente, estamos no futuro, que se apresentou como incerto e com despreocupação, ou seja, vivemos o presente com a certeza de que não haverá mudança futura, sem alterações em nossas rotinas, assim, de forma cíclica, passa-se o tempo. Sendo o tempo o medidor de nossa vida, vivemos de forma individual, desprezando nosso grupo, esquecendo ou nos afastando de nossos valores morais, os quais fortalecem a base de qualquer grupo.

Vivenciamos diariamente agressões às famílias, exemplifico, a violência doméstica, contra o idoso, contra a criança e adolescente, ainda diversos crimes que nos acometem, homicídio, roubo, entre outros que podem ser citados, mas, não sendo este meu intuito, friso a violência no trânsito, sendo que nossa família, de forma exposta, sofre com a perda de seus entes, porém, novamente cito, de forma passiva, aguarda por soluções.

Apliquei este conceito em minha vida profissional e funcional e qual não foi minha surpresa ao perceber que não havia diferença na aplicação do conceito passado pelo digno mestre, pois temos um grupo e grupos não se diferenciam, indiferente de ser familiar ou profissional. Percebi que o valor do grupo esta na dedicação do indivíduo para estabilização e projeção de todos enquanto grupo, neste pensamento, inexiste um grupo valoroso sem que haja integrantes valorosos, assim, se o grupo não demonstra força é porque seus integrantes são fracos ou desorganizados.

Este conceito de grupo deve ser aplicado de forma ampla, não especificamente ao seu grupo, mas a todos os grupos que compartilham os mesmos interesses, lembrando que havendo uma agressão ou ofensa a qualquer do grupo, com certeza, você será o próximo, e se houver ofensa a qualquer grupo que compartilhem os mesmos interesses, novamente, com certeza, seu grupo será o próximo. Este conceito é o de organização, pois, somente com nossa organização, será possível erguer uma linha de defesa, a qual será fundamental à nossa proteção, enquanto indivíduo e grupo.

Conforme o exposto, deixo clara minha intenção de despertar o interesse de todos para tudo aquilo que influencia em sua rotina diária e que não esperem por solução que os agradem, pois a participação de todos é essencial às conquistas que poderão advir de um agrupamento de idéias e ideais, os quais, simplesmente, representam força.

4 comentários:

  1. Aqui no Ceará precisamos de encontros, palestras, seminários e outros. Não somos valorizados e precisamos de todos os GCMs do Brasil para que consigamos vencer o preconceito e a ineficiência das Prefeituras

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  2. Alexandre Silvestre24 de outubro de 2010 14:40

    O momento é de profunda reflexão, para sermos dignos em todos os aspectos, precisamos o ser como um todo, a descrença em si próprio não permitirá ter fé em ninguém ou em nada.

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  3. enquanto assistimos a degredação da família e das instituições públicas, os políticos só se promovem e destroem nossa nação

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  4. Caro Gonçalves,

    Realmente a soma das partes não representa o todo, pois nossa Corporação é tomada pela descrença e desmotivação, mas há um pequeno grupo que não desiste nunca, você faz parte desse grupo.

    Parabéns!

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