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sábado, 17 de julho de 2010

Redenção

Autor: Carlos Augusto Machado

Um sujeito ao matar outro o crime tipifica-se em homicídio, art. 121 do Código Penal, há ainda as agravantes, as atenuantes, qualificadoras e excludentes. Tema recorrente na doutrina e no cotidiano. Devemos estar preparados para o momento: defender a vida de outrem. Há lemas e casos que reforçam este espírito de dedicação.

"Despojado de sua família, seus amores se foram, seu destino a um fio, seu futuro. Restara sua honra, princípios e valores. Houve quem o considerou um incapaz, um idiota armado, um desqualificado, subestimando o profissional. O ébrio nas horas de folga. Envergonhou-se diante das filhas. A mulher já o apresentou assim: '_ Ele não prende bandidos, não é policial' ruborizou, amarelou, engoliu a seco. Talvez teimoso, obstinado diriam. Um familiar confundiu sua instituição com uma marca americana de montadora de carros, desculpou-a. Pobre coitada." de desconhecido autor, talvez influenciado pelo espírito noir do romancista Dashiell Hammett.

Da ficção a realidade, concordamos que na ânsia em ajudar o próximo, arriscamo-nos. Prender o homicida é um evento raro. Sem ostentação, em muitas outras incorremos em riscos. Felizmente muitos acertos, porém algumas vezes tristemente faltaremos.

Certa ocasião, num beco, uma vítima de roubo, tratava-se de um investigador, soube-se depois que era detetive particular. Após troca de tiros, no revide atingimos quem delinqüiu. Quem está surpreso alegando que o fato é incomum esta certo, pois não querem que seja comum. Assim, viola-se o princípio de segurança ao cidadão, responsabilidade de todos. Ademais, estará sempre na iminência e na memória do autor do delito. E o flagrante conceitua-se assim: "PEGA LADRÃO", "AQUELE SUJEITO ACABOU DE ATIRAR NESTE FULANO" ... está crepitando, latente, acabou de acontecer como recorda Tourinho Filho.

Ao longo dos anos forma-se a consciência de que a satisfação, quando há, será breve. Logo após, a vida continua e novos desafios se sucedem. É a profissão escolhida. Ossos do ofício. Mas que ofício detratores e céticos questionarão. Temos crenças, rituais, jargões, gritos de guerra, nomes, personificações, humores, amores e ideais, sim. É necessário ser coerente e cauteloso não compactuando qualquer conduta ilícita e irregular. Não desejamos jamais prejudicar e sim orientar e agir quando necessário. Aplicadores da lei imparciais e dotados de controle emocional. Capazes de sermos firmes sem perder a decantada ternura. Devemos ter orgulho que nosso caráter social, no período pós-ditadura, irreal, hoje é fato e serve de referência.

Querem saber mesmo o que sentimos, não existe meio policial, ou é ou não é, e simplesmente respiramos este ambiente. Nossas utopias transparecem aos liderados, ou melhor, nossos companheiros, parceiros e ao povo. Haverá decepção quando expectativas se frustrarem. Quando não se vislumbrar melhorias, ou nos subjugarem, por tudo que já passamos. Na dicotomia de vitórias e derrotas, somos otimistas e reputo que aquelas são mais freqüentes. Deveras às vezes somos quixotescos, abraçando moinhos de vento. Sem recursos, sem efetivo, mas com muita vontade em colaborar.

Quanto a fórmula de desmonte ela é simples: tire a perspectiva deste profissional em ascender, digo, subtraia seus sonhos. Deixe de valorizá-lo, transforme falácias em verdades sempre que puder, repita que sua função exercida com dedicação, apesar das adversidades é irrelevante. E por último forneça ferramentas melhores, mais caras e em grandes quantidades, e o dobro do seu salário a outrem para realizar a mesma tarefa que você outrora fazia com esmero a despeito das limitações, a virtude está no equilíbrio in médio virtus já falava Aristóteles.

Além de aliená-lo como, na alegoria da caverna de Platão, estará traindo todo o cidadão que acreditava que os impostos arrecadados implicam num mandato. Em ouvir sua voz cidadã conferida a alguém que de fato e de direito representasse seus interesses. Em alusão temos a gênese do princípio da legalidade no taxation without representation, recomendaria observarem este aspecto na classe política, se não a encontrarem lá vejam a película Robin Hood.

Com mais de 6 (seis) mil votos diretos somente na capital. Reitero a idéia de que devêssemos escolher um candidato único e cada eleitor compromissar-se em gerar os votos necessários para sua eleição, tarefa que poderia ser catalisada pelas forças sindicais e associativas em conjunto. Tarefa difícil, mas necessária e imediata diante dos desdobramentos atuais.

Sabemos que podemos semear a esperança também em novos profissionais, sermos transparentes e firmes sem perdermos a vocação. Nossa identidade intrinsecamente está associada aos anseios de cidadania e democracia. Esta característica é nossa maior virtude e será nosso trunfo rumo à sensibilização de nossa nobre missão social e valorização.

7 comentários:

  1. Machado,

    Parabéns por nos presentear com mais um artigo, estava fazendo falta sua participação neste espaço.

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  2. Alexandre Silvestre18 de julho de 2010 09:09

    A época do polícia para que precisa, polícia para que precisa de polícia, tornou-se uma realidade?

    Hoje ela não diz para vocÊ obedecer ou para cooperar, não te pára ou prende, o que melhorou?

    Lembre-se que não há processo democrático sem a participação de todos, candidato único de quem?

    Qual legitimidade para isso?

    Quebrar um paradigma ou destruir mais um sonho?

    Vozes ecoam. mas cuidado ao tentar compreender o que ecoa.

    Parabéns por sua iniciativa, seu senso crítico nos faz falta.

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  3. Acredito que o combate ao crime deve ocorrer de forma sistemática, há muita conversa e pouca ação, muita delonga em que se combater pequenos delitos se combate automaticamente os piores crimes, analise os crimes de repercussão atual, como poderiam ser previnidos?

    Há um direcionamento cruel para relacionar o crime com a destribuição de renda, mas a corrupção detroi nossas instituições e nosso país.

    O príncípio do sistema democrático é eleger pessoas que defendam interesses gerais e não de pequenos grupos.

    Gostaria que o senhor abordasse essa influência política na segurança em geral e explicar o combate ao crime sem uso de força.

    Muita teoria e pouca prática, enquanto isso silenciamos a promiscuidade sexual cada vez mais precoce e sua iniciação aos entorpecentes.

    Veja o que ocorreu na educação, era conservadora e de difícil acesso, para garantir que todos tivessem oportunidade de frenquentar uma escola, esculhambamos o sistema educacional com medidas inovadoras que acabaram com o analfabetismo, hoje ter educação é saber escrever o nome.

    É isso que queremos para a segurança?

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  4. Uma das feridas que temos é a destruição das perspectiva de evolução e da concretização dos sonhos.

    Ela não cicatriza e a cada dia nos consome mais.

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  5. Quando teremos nossa redenção?

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  6. Machado,

    É bom termos novos textos de sua autoria, masi uma vez fez uma abordagem coerente sobre esse momento tão difícil

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  7. Cuidado ao levantarem bandeiras de candidatos, afirmando que são únicos e legitimos, para Deputado Federal parece que o caminho está selado, por outro lado como fica Deputado Estadual?

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